Um remédio chamado
música
Pesquisas científicas comprovam que a música exerce
influência sobre os aparelhos respiratório, digestivo, circulatório e
até sobre o sistema nervoso

Carina Teixeira
No dicionário, a
explicação é de que música significa a arte e ciência de combinar
harmoniosamente os sons. Considerada uma prática cultural e humana,
tem um importante papel nas sociedades. É provável que essa
manifestação tenha sido fruto da observação dos sons da natureza, que
conseqüentemente despertou no homem, através do sentido auditivo, uma
necessidade de reproduzir o que ouvia.
Apesar de ser intuitivamente conhecida por qualquer pessoa, definir o
que é, não é tarefa fácil, pois é difícil encontrar um conceito que
abarque todos os significados dessa prática. Mais do que qualquer
outra manifestação humana, a música manipula o tempo e o som.
Considerada uma linguagem universal, provoca reações das mais
adversas nos seres.
“A música tem, com toda a probabilidade esse poder terapêutico, de
reorganizar a estrutura molecular do ser humano e a psicológica mais
do que qualquer outra”, opina o compositor, pianista, musicólogo e
membro da Academia Brasileira de Música, Amaral Vieira.
Além de todo esse mistério que permeia a música e o ato de
produzi-la, recentemente um estudo feito nos Estados Unidos e
publicado pelo periódico britânico Journal of Advanced Nursing,
afirma que ouvir música pode reduzir dores crônicas em até 21% e
depressão em até 25%.
A pesquisa foi feita com 60 pessoas de ambos os sexos, que tinham
entre 21 e 65 anos. Os pacientes sofriam de dores crônicas
não-malignas, como dores nas costas, osteoartrite e artrite
reumatóide, em média há seis anos. Esses sintomas são caracterizados
pela presença de dores resistentes a intervenções tradicionais.
O estudo dividiu seus voluntários em três grupos de 20 integrantes
cada um, sendo que dois deles foram submetidos a sessões de audição
musical, enquanto o outro não ouvia músicas no período das pesquisas.
As responsáveis pela pesquisa, Sandra Siedliecki, da Fundação Clínica
de Cleveland, e Marion Good, da Universidade Case Western, observaram
que os grupos que ouviram música uma hora por dia durante uma semana,
apresentaram melhoria nos sintomas físicos e psicológicos em relação
ao grupo que não ouvia.
“O primeiro grupo foi convidado a escolher o estilo musical
preferido, que variou de rock a baladas melodiosas e de pop a sons da
natureza comumente usados para promover sono ou relaxamento”, explica
Sandra em comunicado da Blackwell Publishing, editora do Journal
of Advanced Nursing.
O segundo grupo escolheu músicas relaxantes que compreendiam cinco
gêneros, com peças de jazz, piano, orquestra, harpa e sintetizador,
que foram selecionadas pelas pesquisadoras.
Os dois grupos que ouviram música afirmaram queda nas dores entre 12%
e 21%. Esses resultados foram medidos por um questionário chamado
McGill, que consiste em uma descrição minuciosa de 78 palavras,
organizadas em quatro grupos e 20 subgrupos em uma escala de 0 a 100,
no qual 0 significa ausência de dor.
Outros fatores positivos foram os resultados de 19% a 25% a menos de
relatos de depressão, em relação ao grupo que não ouvia música. Os
pacientes submetidos à audição de peças musicais também relataram
sentir maior capacidade de controle as dores.
“Houve pequenas diferenças nos valores identificados nos dois grupos
que ouviram música, mas ambos mostraram melhorias consistentes em
cada uma das categorias analisadas”, afirmou Sandra. “Dores crônicas
não-malignas constituem um grande problema de saúde pública e
qualquer novidade que possa oferecer algum alívio é bem-vinda.”
Musicoterapia
É a utilização da
música e de seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) em um
processo destinado a promover comunicação, relacionamento,
aprendizado, mobilização, expressão e organização para fins
terapêuticos psicoprofiláticos ou de reabilitação, define a
Federação Mundial de Musicoterapia.
Já
segundo a Canadian Association for Music Therapy, a
Musicoterapia é a utilização da música para auxiliar a integração
física, psicológica e emocional do indivíduo e para o tratamento de
doenças ou deficiências. Ela pode ser aplicada a todos os grupos
etários em uma grande variedade de ocasiões.
Como ciência, o tratamento de certas doenças nervosas por meio de
música, é recente. Embora os primeiros registros a esse respeito
possam ser encontrados na obra de filósofos gregos pré-socráticos,
seu uso só começou a ser desenvolvido no final da Segunda Guerra. O
primeiro curso universitário de Musicoterapia foi criado em 1944 na
Michigan State University, nos Estados Unidos.
Atualmente, a Musicoterapia é estudada e praticada em dezenas de
países. Embora existam variações na legislação de cada país, na maior
parte dos países é uma carreira universitária autônoma. Em alguns é
ligada à carreira médica ou à psicologia.
"Há séculos os curandeiros usam músicas e tambores. Estamos apenas
redescobrindo o que sempre souberam: a música, por meio de sua
profunda repercussão sobre a mente e o corpo, pode ser uma arma
poderosa para curar as pessoas", declara Ronald Borczon,
musicoterapeuta e fundador do departamento de Musicoterapia na
Universidade Northridge da Califórnia.
Trabalhando com uma gama variada de pacientes, os musicoterapeutas,
geralmente tratam de pessoas com dificuldades motoras, autistas,
pacientes com deficiência mental, paralisia cerebral, dificuldades
emocionais, pacientes psiquiátricos, gestantes, idosos, além de
distúrbios de aprendizagem e de comportamento, e também sendo usada
na área social com crianças e adolescentes em situação de desamparo.
Além da Musicoterapia, pesquisas atuais, vêm descobrindo que a música
pode ajudar a curar de várias outras maneiras. Em muitos casos
estudados, descobriu-se que vítimas de queimaduras, estimuladas a
cantar quando lhe trocam as ataduras sentem menos dor. Pacientes de
câncer que ouvem música e aprendem a tocar instrumentos, por exemplo,
vêem os níveis de hormônios do estresse cair e o sistema imunológico
se fortalecer.
“Demonstrou-se clinicamente que a música contribui para a nossa saúde
e para o nosso bem-estar. A música, então pode representar uma parte
importante do nosso programa básico de prevenção – prevenção da
doença no nível pré-físico de desequilíbrio energético”, afirma o
psiquiatra americano John Diamond em seu livro Your body doesn't
lie (O seu corpo não mente).
Além disso, acredita-se que esse poder da música, resulta da
capacidade de reduzir a ansiedade, que pode comprometer as defesas
imunológicas, bem como intensificar a sensação de dor. A música, em
especial o canto, desvia a atenção da pessoa ao sofrimento e alivia a
tensão.
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Fonte: ArteCidadania.org.br,
03/07/2006
http://artecidadania.locaweb.com.br/site/paginas.php?setor=4&pid=1166


