Academias investem no público da terceira idade

 

Henrique Xavier

 

Os idosos amazonenses da terceira idade das classes A e B gastam, segundo a SBGG, entre R$ 150 e R$ 300/mês em academias e ações de fisioterapias lúdicas. Os dados, coletados em pesquisa realizada entre setembro de 2006 e janeiro deste ano em oito das principais capitais do Brasil, foram divulgados pela direção do Clube da Melhor Idade do Brasil. O presidente da entidade, Nilton Belo Ferreira, disse que a vida do idoso amazonense dessas camadas sociais alcançou padrão de qualidade muito alto na capital, importando no aumento das exigências dos consumidores e na maior especificidade dos serviços oferecidos pelas academias de Manaus.

 

“As idosas amazonenses das camadas sociais mais altas são as que mais consomem os serviços oferecidos pelas academias e centros de lazer, algo que chega a R$ 300”, afirmou Ferreira.

 

Na opinião do dirigente, o Amazonas, nos últimos anos, fez uma opção preferencial pela terceira idade, aumentando uma série de decisões de transferência de renda que acabou acarretando essa melhora de qualidade de vida e de saúde.

 

“Parece que essas exigências têm refletido nos investimentos contínuos que adequaram muitos espaços de academia às necessidades do público idoso. Hoje, temos uma força econômica relevante que vem sendo reconhecida pelos empresários”, completou Belo

Ferreira.

 

Os dados da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) são corroborados pela opinião de alguns empresários locais que investiram até R$ 70 mil no aparelhamento de academias com horário exclusivo para turmas da terceira idade espaços clínicos e de lazer, onde são ministradas lições de natação, hidroginástica, hidromusculação e até mergulho, entre outras atividades, com propostas desenvolvidas especificamente para esse segmento de público.

 

Segundo a sociaproprietária da Acqua Fitness, Magda Olívia Magalhães, a terapia lúdica no ambiente aquático tem grande receptividade junto ao público da melhor idade por se constituir na forma mais indicada pelos médicos gerontólogos para o tratamento dos males surgidos do sedentarismo pela idade avançada.

 

De acordo com a empresária, a academia recebeu investimentos de até R$ 50 mil para auxiliar na adequação de atividades na terceira idade. Magda Olívia analisou que os amazonenses, antes mais arredios à prática esportiva na terceira idade, agora já assumem uma postura de maior participação ante o número de mulheres nas atividades gerontológicas. “No universo das academias é facilmente constatável que as mulheres ainda são a maioria, talvez por questões culturais ou meramente psicológicas ligadas à senilidade, algo que precisa ser trabalhado para não haver abandono das atividades físicas. No nosso caso, 30% de todo o quadro são homens e isto é uma participação razoável”, acrescentou.

 

Os índices publicados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2000, afirmam que ao atingir os 60 anos, os homens amazonenses esperavam viver 17,6 anos em média, dos quais 14,6 (83%) seriam vividos livres de incapacidade funcional. As mulheres na mesma idade tinham expectativa de vida em 22,2 anos, dos quais 16,4 anos (74%) seriam livres de incapacidade funcional. Dos anos com incapacidade funcional, os homens viveriam 1,6 ano (9%) com dependência, contra 2,5 anos (11%) para as mulheres.

 

Exercício físico prolonga vida

 

Para a aposentada Raimunda de Oliveira, o que tem ajudado a alterar o quadro estatístico do IBGE de forma positiva é a prática de exercícios físicos complementada por uma série de atividades que corroboram para a desaceleração do envelhecimento. “Além das aulas de hidroginástica, a atualização cultural no convívio social tem nos ajudado bastante a manter em forma o corpo e a mente”, assegurou.

 

De olho no segmento do reaprendizado, o Spaço Gerontológico é um dos poucos centros em Manaus que oferece além de tai-chi-chuan e ioga, biblioterapia e cursos de atualização cultural.

“Temos idosos que estudaram há muitos anos, mas desejam manter-se atualizados às coisas novas como a informática ou a internet. Eles vêm em busca realmente de aulas onde possam aprender disciplinas voltadas para a atualização extracurricular”, explicou a médica gerontóloga, Cláudia Bandeira que investiu cerca de R$ 70 mil nas instalações do complexo geriátrico.

 

Na opinião do aposentado Joaquim de Souza, poucas academias e centro de lazer da capital se adaptaram para receber clientes da terceira idade, o que é um grande erro de visão corporativa. “Os idosos estão vivendo mais e melhor devido à qualidade de vida e saúde nas grandes cidades. Quando cheguei à academia, vim em cadeira de rodas. Hoje, já consigo andar, graças aos exercícios dentro da piscina”, afirmou.

 

Dados das academias afirmam que o público idoso permanece entre 1h e 5h semanais em práticas esportivas dentro de piscinas. E a tendência desse público é aumentar sua presença nesses espaços nos próximos anos, já que, segundo o IBGE, a longevidade é o grande trunfo da população brasileira que alcançou a média de 71,2 anos em 2000, contra 62,2 anos nos idos de 1980.

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Fonte: Manaus, Jornal do Commercio, 15/03/2007.
Disponível em:
http://www.jcam.com.br/materia.php?idMateria=45658&idCaderno=2