Lusco-fusco: momento do dia em que os motoristas precisam ter atenção especial ao volante

Estatísticas da Polícia Rodoviária Federal mostram que quase 30% dos acidentes nas estradas ocorrem entre 17h e 20h.

 

Por Márcia Wirth  

 

É na hora de acender os faróis! Segundo estatísticas da Polícia Rodoviária Federal, quase 30% dos acidentes nas estradas ocorrem entre 17h e 20h. Segundo os oftalmologistas, é justamente nesse período de tempo que o mecanismo da visão passa por uma mudança que torna o olho humano muito mais sensível à luz. "Dentre as razões para a concentração de acidentes neste período, estão a dificuldade natural do ser humano para enxergar em situações de pouca luz, iluminação pública deficiente e o desrespeito às leis de trânsito”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.


Privilegiados com dias longos, os brasileiros não têm como prioridade cuidar da visibilidade noturna. Em países do hemisfério norte, onde em tempos de neve a escuridão prevalece na maior parte do dia, conseguir enxergar à noite na rua é uma questão crucial. Por isso, usam-se materiais que refletem a luz e acerta-se a parte elétrica do carro. No Brasil,  não são raras as notícias de motoristas que não se preocupam nem em regular os faróis, um cuidado simples que pode reduzir o risco de acidentes.


À noite, a visão pode nos pregar peças, principalmente para quem já tem algum problema de visão. “Em condições de pouca luminosidade, a capacidade de enxergar é reduzida em até 30%. A hora do lusco-fusco - transição entre dia e noite - é crítica para o condutor de veículos. A perda de noção de distância e profundidade estão entre os riscos para os condutores de veículos. Com a percepção afetada, os reflexos ficam mais lentos”, explica Centurion.


O médico explica que mesmo uma pequena deficiência visual pode atrapalhar o motorista na hora de dirigir à noite. "Mesmo que a pessoa não sinta falta de óculos durante o dia, a deficiência à noite é bastante agravada", alerta o diretor do IMO.


Medidas de segurança

Para o oftalmologista Eduardo de Lucca, que também integra o corpo clínico do IMO, a receita para uma direção tranqüila à noite abrange óculos e lentes adequados; estradas bem pavimentadas e iluminadas; faróis regulados e a posição correta do motorista no assento em relação ao painel e retrovisores. “Enxergar à noite já é um  exercício para quem tem a visão normal. Fica mais difícil para quem possui alguma deficiência visual ou quem está com idade avançada”, diz o oftalmologista.


Segundo o médico durante a noite, a visão de quem tem “miopia, astigmatismo, glaucoma e catarata piora devido à falta de iluminação suficiente e os faróis ofuscam a visão fazendo com que se perca a noção de profundidade”, diz. Nestas condições, os reflexos do motorista ficam mais lentos “porque entre míopes e astigmáticos a noção de distância em relação aos outros veículos é maior do que a real”, explica.


Para enxergar melhor à noite, Eduardo de Lucca sugere o uso de filtros para óculos, com lentes amarelas. O motivo é que quem possui alguma deficiência visual pode perder de 10% a 25% da visão à noite. “Este percentual varia de acordo com o vício de  refração de cada motorista. Por exemplo, os míopes, na hora do lusco-fusco, chegam a diminuir até duas linhas  - medidas de acuidade visual da Carta de Snellen, a escala optométrica utilizada por oftalmologistas para medir a capacidade de visão dos pacientes”, diz o oftalmologista.


Os motoristas que se submeteram à cirurgia de catarata, com lentes intra-oculares implantadas, podem apresentar alterações no ofuscamento. “A redução da visão à noite depende da visão de  contraste. Geralmente, quem tem a visão de contraste diminuída possui olhos operados de cirurgia refrativa ou são portadores de opacidades, como a catarata”, diz o oftalmologista Virgilio Centurion, que também é membro da ALACCSA, Associação Latino-Americana de Cirurgiões de Córnea, Catarata e Cirurgias Refrativas.


Como a catarata é prevalente na população idosa, os condutores da terceira idade devem estar sempre com o exame oftalmológico em dia. Um relatório do ICO  - Conselho Internacional de Oftalmologia -, de 2004, mostrou que, nos Estados Unidos, a principal causa de morte por ferimentos entre pessoas de 65 a 75 anos é o acidente automobilístico. Nessa categoria, 95% das lesões são relacionadas a problemas de visão.

 

No Brasil, para obter a Carteira de Habilitação, é preciso fazer uma bateria de exames, entre eles a avaliação oftalmológica, que inclui o teste de visão noturna e de ofuscamento. O Contran – Conselho Nacional de Trânsito - determina que motoristas de até 65 anos devem renovar seu exame a cada cinco anos. Após essa idade, o intervalo passa a ser de três anos, período que pode ser reduzido, se o médico perito constatar algum problema no motorista.  A avaliação oftalmológica feita no Brasil está em consonância com os parâmetros utilizados nos Estados Unidos e em países da Europa - embora alguns deles já tenham adotado restrições para impedir que motoristas com baixa visão noturna dirijam no período da noite.

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Fonte: Márcia Wirth, 9/2/2009.

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9 de Fevereiro de 2009