Foi uma grande festa, com jeito de evento familiar. Pessoas de diversas faixas etárias uniram-se em torno de alguns objetivos comuns. O aniversário do Portal do Envelhecimento, que completou 6 anos no ar, foi um dos motivos da reunião no restaurante Sushi Hall, localizado no bairro de Pinheiros, no dia 19 de setembro.
Mas muita gente marcou presença para conhecer um pouco mais sobre o OLHE, que tem como um de seus projetos o próprio Portal do Envelhecimento. Outros ainda saíram de casa motivados para rever amigos, o que em São Paulo nem sempre é fácil. E muitos também se animaram porque sabiam que o almoço tinha uma causa solidária bem definida: contribuir para a instituição de longa permanência de idosos Associação Vó Neide, localizada no extremo sul de São Paulo, no município de Embu-Guaçu.
Parte da renda arrecadada com a venda dos convites para o almoço foi destinada à compra de mantimentos e outros produtos para a casa da Vó Neide. Outra parte, tirando os custos com o almoço, foi para colaborar com os projetos desenvolvidos pelo OLHE. Diversas pessoas levaram alimentos, produtos de higiene e roupas para serem doados à casa dos idosos.
O espaço ficou pequeno para comportar as mais de 100 pessoas que passaram pelo restaurante. Os garçons não conseguiam dar conta de atender a todas as pessoas (veja o texto sobre os bastidores do evento), crianças corriam para lá e para cá, inquietas, e os convidados precisaram exercitar sua paciência para se acomodar nas mesas e cadeiras.
Mas o espírito solidário e de confraternização falou mais forte. Logo na entrada, quem quisesse, podia se vestir com uma roupa japonesa, maquiar-se com a especialista Vera, da empresa Veríssima, que gentilmente compareceu ao evento. Também no hall de entrada, a psicóloga Sônia Fuentes convidava a todos a desenharem uma mandala tendo como tema o número 6. Várias crianças e adultos aderiam à atividade.
Importante ressaltar que a festa só foi possível de ser realizada no Sushi Hall por conta da parceria firmada com a Juxx, empresa que tem como sócio-diretor Edson Mazeto Jr., e que se destaca por ter trazido o suco de cranberry ao Brasil, servido no almoço.
Outras parceiras também foram estabelecidas em prol do evento. A consultora da Natura Ana Claudia Kachan Faria doou uma caixa de produtos para serem sorteados entre o público. Parte desta doação foi também destinada à casa da Vó Neide. A designer gráfica Laine Silveira contribuiu com bijuterias, produzidas por uma amiga. A psicóloga Sônia Fuentes levou muitos DVDs que fizeram a alegria da criançada e dos adultos no sorteio.
Um dos sócios do restaurante, Rogério Azevedo, também colaborou doando saquês para o sorteio. Sucos da Juxx também foram sorteados. Integrantes do OLHE também contribuíram muito, dispondo livros, fotografias e outros itens para serem sorteados.
A professora da PUC-SP Beltrina Côrte, uma das fundadoras do OLHE e responsável pelo conteúdo do Portal do Envelhecimento, falou ao público sobre a ONG, seus objetivos e projetos, que têm como foco colaborar para um olhar interdisciplinar e crítico sobre o envelhecimento em nossa sociedade.
Na porta do restaurante, um banner já anunciava um pouco sobre o OLHE. Também foram distribuídos folders informativos e foi passado um vídeo que retratou alguns aspectos da história da ONG e do Portal.
Antes disso, porém, todos ouviram o depoimento da responsável pela Associação Vó Neide – a própria dona Neide –, que contou, em vídeo, um pouco sobre a rotina dos mais de 40 idosos que ela acolheu.
Integrantes do OLHE também colheram depoimentos e filmaram algumas pessoas presentes, que se manifestaram a respeito do envelhecimento hoje. Os olhares para a questão, muito heterogêneos, apontam que o OLHE e o Portal estão no caminho certo, abrindo para o debate esta discussão.
A professora da PUC-SP, Suzana Medeiros, uma das pioneiras no estudo da gerontologia no Brasil, também deu o seu recado, parabenizando o OLHE e o Portal pela iniciativa.
Em certo momento da festa, para animar o público, dois idosos de Okinawa, uma das ilhas do Japão que concentra uma expressiva população longeva, convidaram todos para uma dança típica. A plateia também dançou ao som de Envelhecer, música de Arnaldo Antunes, cujo vídeo foi passado numa tela no restaurante. Neste momento, crianças tocaram instrumentos e também cantaram. Ao final, a mandala mais bonita foi escolhida por 3 meninas: Sofia, Dhara e Isadora. Venceu a da dentista Lucimar Rodrigues, que ganhou um brinde por sua participação.
E em festa de aniversário que se preze não pode faltar bolo! Nos 6 anos do Portal havia quatro, todos belos e saborosos. Eles deram o toque final à comemoração – dois deles foram doados por integrantes do OLHE e os outros dois foram gentilmente feitos por Ana Tomazoni, mestre em gerontologia e culinarista, e Sônia Fuentes. Todos cantaram parabéns e Beltrina Côrte e Ingrid Mazeto, ambas na diretoria do OLHE, apagaram a velinha.
Foi ou não foi uma grande festa?
Nos bastidores
6 anos do Portal do envelhecimento
Por Sônia Fuentes
Organizar um Evento definitivamente é um Evento. É preciso mais que tempo, mais que garra, mais que disponibilidade, mais que amor ao próximo – no caso em questão a Casa da Vó Neide e seu empreendimento. É preciso no mínimo uma resistência à frustração de grau médio. Claro, o resultado desta mistura é quase sempre positivo e incentivador. Apesar dos tantos encontros pré eventos, das reuniões, discussões e mil e um preparativos prévios. Inevitável não ocorrer imprevistos.
Mas que baita imprevisto foi tentar acomodar no restaurante Sushi Hall 20 pessoas a mais, num espaço que mal cabiam 100 confortáveis. Foi mesmo um susto, até que gostoso no início; uma leve sensação agradável de “poxa, o evento está bombando!! Que sucesso minha gente”.
De fato houve o comparecimento maciço de amigos da PUC, dos professores da Geronto e de tantos outros que chegavam, chegavam e chegavam!
Conseguimos que muitos ficassem por alguns minutos no gostoso hall de entrada, desenhando mandalas e participando da maquiagem e das fotos criativas, em que as pessoas pudessem ser fantasiadas de japonesas.
Liginha começou cedo a fazer suas entrevistas junto com a então estagiária Fernanda!
Ninguém parou.
Mas, de repente, começaram as reclamações, bombardeios de todos os lados. Alguns deram a impressão de se esquecer que estavam ali por uma causa solidária. Estavam lá para serem servidas e bem servidas, afinal pagaram para isto.
“Cadê minha salada? Ninguém me serve? Garçom sem educação, volta aqui. Onde está minha cadeira? Onde me sento? Que demora! Achei um fio de cabelo na salada. Achei uma mini pedrinha no sushi!”. Era isso o que muitas de nós ouvíamos aquela hora. Uhagalkdhidhehdgandlajxbnjyql! Essa era a minha vontade de gritar, um palavrão! E dizer: “Saiam todos!”. Ou “entrem na cozinha e se virem.
É preciso se lembrar sempre que nem todos lutam solidariamente pelos mesmos ideais. Erro nosso, talvez, em acreditar que todos ali seriam solidários à causa do envelhecimento e que entenderiam as dificuldades de se organizar um evento.
Que nada! Tal qual príncipes sentados na realeza queriam ser servidos e bem servidos, e rápido, claro, e também queriam o cardápio, para poder escolher. Bendita hora que um cardápio rodopiou o salão, possibilitando uma lépida possibilidade de escolhas. Ufa! Escolhas! Será que ninguém se deu conta de que aquilo não era hora mais para este luxo? E, sim, abençoar e se deliciar com o que quer que fosse que chegasse na sua mesa.
Sucesso absoluto mesmo foram os brindes distribuídos por todos os lados, cansamos até de fazer sorteio. As crianças não tinham do que reclamar: mais de 100 fitas de vídeo foram sorteadas. Os aficionados pelo estudo do envelhecimento tampouco tinham do que se queixar: muitas sacolinhas foram sorteadas e dadas de brinde, contendo volumes da revista Kairós, um enorme sucesso. Os amigos meus adoraram recebê-las.
Contamos também com os mimos supercriativos, doados pela Laine. Telas com fotos da Rita Amaral também iluminaram os brindados.
A farra mesmo foi cortar quatro bolos de aniversário em menos de 10 minutos, todos deliciosos. Confesso que bati meu recorde. E para sustar os comentários prévios do tipo “uh! Que exagero, quatro bolos!!, a corrida ao doce provou que ninguém quer saber de regime mais hoje em dia. E salvem-se quem puder! Quem comeu, comeu, e quem não provou a delicia de chocolate trazida pela Rita e os deliciosos bolos de abacaxi da Ana Tomazoni, da Ligia e o meu, perdeu.
O melhor da festa, no entanto, foi o saldo de arrecadações para ajudar o abrigo da Vó Neide: muitas toalhas de banho, lençóis, sabonetes, pastas de dente, roupas de flanela, mantimentos, bolachas e vídeos com filmes de entretenimento, além, é claro, de uma boa verba do lucro obtido com o evento, que logo foi revertido em mantimentos e produtos de limpeza para aqueles idosos carentes.
Como diz uma amiga, estamos construindo nosso lugar ao céu, colocando um tijolinho. A meu ver, é um grão de areia, mas é algo que certamente fez uma grande diferença na vida e no dia a dia da Vó Neide e de seus velhos.
Obrigada ao grupo todo pelo empenho e pela realização deste evento que, certamente, a meu ver cumpriu com seu objetivo e ficará para sempre em nossos corações e mentes.
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