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Pesquisa da Faculdade de Odontologia da Universidade de Hiroshima
associa Tatiana Diniz O desenvolvimento do mal de Alzheimer pode estar relacionado a deficiências de mastigação. A observação é fruto de investigações conduzidas pelo centro de pesquisas sobre crescimento e desenvolvimento do crânio e da face da Faculdade de Odontologia da Universidade de Hiroshima. Coordenada pelo ortodontista Kazuo Tanne, a pesquisa aponta que a degeneração dos dentes causada pela mastigação imprópria promove a formação, no sistema nervoso central, de placas da proteína denominada beta, capazes de danificar os neurônios e indicadoras do Alzheimer. O experimento de Tanne foi realizado com ratos. Inicialmente, ele comparou um grupo de cobaias sem dentes a um grupo normal. Os primeiros receberam alimentos moles, e os outros, comida fibrosa. Exames de tecidos do córtex cerebral revelaram que neurônios dos ratos desdentados estavam degenerados pelas placas de beta, enquanto os ratos normais não apresentavam alterações. Em outro teste, Tanne comparou dois grupos de ratos com dentições sadias, oferecendo alimentos moles aos primeiros e alimentos duros aos segundos. As placas apareceram novamente nos que receberam alimentos moles. As descobertas evidenciam a necessidade de preservar as funções mastigatórias e põem em xeque a substituição da alimentação sólida pela pastosa, muito praticada por cuidadores de idosos. O mais adequado, portanto, é fazer a manutenção dentária regularmente, para que as pessoas continuem aptas a ingerir alimentos sólidos e fibrosos independentemente da idade.
"Os
resultados enfatizam a importância da mastigação para a estrutura e
o funcionamento do sistema nervoso central, o que contribui para a
boa saúde em geral", disse o pesquisador Tanne à Folha, por
e-mail. "A DTM não mata, mas causa morbidade. Quem tem sente dor e apresenta dificuldades para comer, falar, beijar. Vai perdendo qualidade de vida e desenvolvendo problemas emocionais", explica Antônio Sérgio Guimarães, professor de odontologia e responsável pelo Ambulatório de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial do Hospital São Paulo da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A professora aposentada Vera Lucia Aguiar Silva, 59, levou 28 anos para diagnosticar sua DTM. "Sofria dores de cabeça horríveis. Tomava vários remédios diariamente. Passei por muitos dentistas e até por psiquiatras, extraí dentes, fiz cirurgias desnecessárias. Além de ser castigada pela dor, sentia uma revolta terrível de viver naquele sofrimento sem perspectiva de melhora", relata. Vera está recebendo tratamento na Unifesp desde 2003 e diz que hoje não sente mais dor. "Mas há muitas seqüelas psicológicas de tantos anos de sofrimento", conta.
Antônio Sérgio Guimarães comenta que há um perfil psicológico
característico das pessoas que desenvolvem a DTM e defende uma
abordagem multidisciplinar que inclua a intervenção psicológica.
"Geralmente os pacientes são pessoas muito contidas, que não
costumam dizer "não" e que se dedicam muito mais aos outros do que a
si mesmos. É preciso se conscientizar dos movimentos desnecessários
e, paralelamente, promover uma mudança comportamental", aponta. Fonte: Folha de São Paulo/Equilíbrio; 08/06/2006.
Observação: Os artigos
postados nesta sessão são encaminhados
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