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Educação, Currículo e Terceira Idade
Para iniciar o nosso debate elaborei um gráfico para ilustrar como analiso esta triangulação Educação, Currículo e Terceira Idade.
Gráfico 1 – Panorama
das relações entre Educação, Currículo e Terceira Idade
Vamos observar o gráfico 1 e tentar abstrair um pensar a respeito. Apesar da ilustração ser estática, nela está contida uma dinâmica de relações entre os atores (coordenação, professor, aprendiz da terceira idade), as áreas de conhecimento e as abordagens pedagógicas. Da mesma maneira, a presença e a influência do contexto social, político, cultural, ético etc. Há uma transversalidade que vai do âmbito do planejamento nos programas sociais e nas UNATIs e chega até a prática na sala de aula. O fluxo é bidirecional, atingindo ambos os sentidos macro e micro da educação para a terceira idade.
Neste enfoque, é importante desconstruir a idéia de currículo como um elenco definido de disciplinas segmentadas e organizadas seqüencialmente e, construir uma compreensão a partir de um olhar complexo, caleidoscópio (portanto, mutável) da inter-relação das áreas de conhecimento e suas implicações na educação.
Um currículo interdisciplinar pressupõe uma integração entre as áreas de conhecimento e uma interação entre os especialistas. Cada qual com o seu território de domínio, analisa o campo de forças entre a parte e o todo, e portanto, revê a sua disciplina na inter-relação do conjunto. As fronteiras entre as áreas são revisitadas constantemente pelo educador, promovendo a revitalização dos conteúdos disciplinares na direção da prática interdisciplinar, desta maneira escapa da colcha de retalhos, cada qual em seu espaço de domínio, e possibilita uma construção conjunta e em parceria entre os professores.
As propostas educativas e curriculares para a terceira idade se tornam efetivas quando abrem espaço para ouvir o aprendiz e saber dele seus interesses e suas projeções. Isto demanda uma escuta sensível de suas necessidades e uma avaliação contínua do desenvolvimento das suas capacidades. O aprendiz formado na antiga escola, da qual saiu há tempos, volta com expectativas e aspirações diversas. Um aluno com particularidades e com um trajeto longo de experiências constituídas nos anos vividos. Portanto, não cabe um modelo único de currículo, precisa ser revisto à luz das demandas e potencialidades deste aprendiz que está sendo.
Assim como o mundo não é, mas está sendo, a educação respeita esse processo dinâmico do ser humano, enquanto ser histórico e inconcluso, que está no e com o mundo, portanto conhecendo-o e intervindo nele, e se fazendo com o outro (FREIRE, 1996).
Envolver o aluno no processo de sua formação e do outro (colega), por meio das suas escolhas e atitudes, na co-responsabilidade da sua participação ativa. De aprendiz que se (trans)forma em agente (trans)formador. Só assim, o currículo deixa de ser uma relação de disciplinas desconectadas da vida, para pulsar vida e mudar vidas.
Dentro deste enfoque, a sala de aula é o lugar da transformação, pois cultiva vivências e experiências com as áreas de conhecimento, que não são meros conteúdos prontos e descartáveis. Considera as relações inter-pessoais e subjetivas, o ritmo e o tempo do aprendiz na terceira idade. Aprender neste lugar, é ser desafiado a explorar territórios desconhecidos, descortinando novos horizontes em si mesmo e descobrindo outras potencialidades. Tudo isso, objetivando a promoção do indivíduo e garantindo o exercício da cidadania, portanto, uma educação compromissada com direitos, princípios e valores humanos.
É importante destacar que a educação não acontece somente nos espaços formais, organizados e sistematizados com essa finalidade, mas também em ambientes sociais e de lazer. Por isso, o cuidado em ver para além das fronteiras da instituição escolar, observar estes outros lugares e apreender os objetivos que respeitam e preservam a integralidade da terceira idade, incluindo-a nas interações com as diferentes faixas etárias e atualizando-a com as evoluções sociais e tecnológicas.
Portanto, este fórum tem a intencionalidade de despertar questionamentos e análises conceituais e práticas, abrindo o debate para socializar e ouvir referências no assunto.
Aguardamos você (aluno, professor, coordenador, agente educativo etc) para ler os artigos dos nossos convidados, e participar com seus pensamentos, análises, experiências e observações, sendo assim, enriquecedor para todos nós, na construção de práticas educativas e curriculares inovadoras para a terceira idade.
Referências
Bibliográficas ABRAMOWICZ, Mere.Construindo uma prática Curricular emancipatória – um fascinante desafio. In ABRAMOWICZ, Mere (org.). Quando a Universidade vai à escola Pública. São Paulo: Lúmen, 2004. FREIRE, Paulo Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. KACHAR, V. (org.) Longevidade: um desafio para a educação. São Paulo: Cortez, 2001.
Mestre e doutora em Educação pela PUC/SP. Há 20 anos atua como docente e consultora do MEC em Educação a Distância - EAD, principalmente na área de formação de professores, em temas ligados à Didática, às Tecnologias na Educação e à EAD, em cursos de graduação e pós-graduação. Coordena (Coord. Executiva) o curso de extensão: "Educação e Envelhecimento", PUC/SP - COGEAE. É professora de "Introdução a Informática" e Coordena o jornal Maturidades da Universidade Aberta para a Maturidade da PUC/SP. Tem dois livros publicados: "Longevidade: um novo desafio para a Educação" (org.), São Paulo: Cortez, 2001 e "Terceira Idade e Informática: aprender revelando potencialidades", São Paulo: Cortez, 2003. E-mail: vkacharh@uol.com.br
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