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Família e Envelhecimento
Por Ana
Amélia Camarano
A população
brasileira envelhece e, com ela, a família. Novos desafios são
apresentados à sociedade e aos formuladores das políticas
públicas, e cabe às Ciências Sociais o desafio de buscar uma
compreensão para essa transformação, bem como o de fornecer
instrumental para avaliar o seu impacto nas condições de vida
das famílias brasileiras e nas políticas públicas, entre
outros aspectos.
Uma das
respostas a esses desafios é dada por
Família e Envelhecimento,
livro organizado por Clarice Ehlers Peixoto, da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro. Além de Clarice, quatro outros
pesquisadores de universidades, como a USP, a UFBA e a UFRJ, e
da Caisse Nationale d'Assurance Vieillesse (França) prestam
sua colaboração ao debate sobre o envelhecimento populacional
brasileiro, abordando questões importantes relativas ao
cotidiano da população idosa.
O
prolongamento da vida é uma das maiores conquistas do século
XX. No entanto, ele em geral tem sido apontado por muitos
pesquisadores como um "problema". Esse ponto de vista é
baseado numa visão generalizada de que a população idosa é
dependente e vulnerável tanto na esfera econômica quanto na da
saúde, relacionada à díade autonomia/dependência. Contudo, o
primeiro capítulo deste livro, de Myriam Lins de Barros,
questiona a homogeneidade da experiência do processo de
envelhecimento, bem como a validade universal da representação
ocidental e contemporânea da velhice como um período
específico e delimitado da vida.
Os demais
autores mostram que o segmento das pessoas de mais idade é
formado por indivíduos que apresentam taxas elevadas de
vulnerabilidade e dependência, mas, também, por aqueles que
estão desempenhando papéis importantes na família, na
sociedade e na vida política. São militantes e provedores,
segundo o capítulo de Júlio Assis Simões. São aposentados que
trabalham, muitas vezes, por solidariedade familiar, como
aponta Clarice Ehlers Peixoto, e que envelhecem diferentemente
segundo o sexo, de acordo com o artigo de Claudine
Attias-Donfut. Alda Britto da Motta mostra que, atualmente,
novas formas de encontros e/ou atividades extrafamília são
buscadas pelos idosos baianos. No entanto, outros ficam
marginalizados com a passagem à aposentadoria e/ou quando os
filhos criados saem de casa.
Sumarizando,
este livro traz uma grande contribuição ao debate sobre o
envelhecimento, pela qualidade de seus textos e,
principalmente, por desvendar parte da heterogeneidade do
processo de envelhecimento da população brasileira.
Ana Amélia
Camarano, coordenadora das áreas de Pesquisa de População e
Cidadania do Ipea.
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Fonte:
Publicado originalmente como "orelha" do livro. |